05/04/2010

ASTEROID @ 27.03.2010


O palco é o lugar mais estranho do mundo.
Você passa a vida se preparando pra ele.
Acha que lá ele estará, pronto pra te servir quando você achar que está pronto.
Disposto a tapar cada buraco da sua alma.

Mas ele rosna.
Você peita.
Ele devolve.
Velocidade é violência.

Você se vê refletido nos olhos dos outros. E aí fica tudo confuso.
Parece que o seu testemunho, tão repensado, não convence.
Então se rasga uma brecha pra que as pessoas possam olhar dentro de você.
Talvez assim elas entendam.

Você esfarela a comida da outra banda e atira nas pessoas. Molha elas.
Provoca. Encara. Você quer que elas cheguem, que elas se encostem. Elas chegam.
Então você abre mais o rasgo no peito pra que elas possam ver melhor.
E rasga mais, e mais, e mais. E nunca é o bastante.

Acaba.
Você está do avesso, rouco, exausto, encharcado.

Será que aquelas vidas pegaram fogo?
Porque menos que isso não serve.
Nunca dá pra saber quem venceu.

Você recolhe os restos de pele, de guitarra, e remenda.
Sem muito capricho, porque sabe que virá uma próxima.
E a festa vai virar guerra de novo, pra poder voltar a ser festa.
Outra festa.

E a próxima será em Limeira, no Kingston, sábado dia 10.
(Porque no CICAS... depois eu conto do CICAS)


Caras, todos vocês, obrigado!
Obrigado a todos os amigos que transformaram a nossa vida desde 2007 e tornaram possível este disco e esta turnê. Obrigado a todos que se escancararam como nós naquela noite no Asteroid. Obrigado pelos gritos e pelo calor.

Está aberta A CAIXA DO MACACO, rapeizeee!!!
Ferraz.

Um comentário:

Tati P. disse...

Dava pra ver que o texto era teu desde a primeira linha.

e se depender da ini, a gente sempre vai poder ver por dentro do rasgo.